Muita gente acima dos 50 anos percebe que não consegue mais caminhar a mesma distância de antes. Depois de alguns quarteirões, as pernas pesam, formigam ou doem, e a pessoa precisa parar e sentar para conseguir continuar. Muitas vezes isso é tratado como "coisa da idade" ou problema de circulação, mas pode ser estenose do canal lombar, uma condição da coluna que tem tratamento.

O que é a estenose do canal lombar?

A coluna tem um canal por dentro, por onde passam a medula e os nervos que seguem para as pernas. Na estenose, esse canal fica mais estreito e os nervos passam a ter menos espaço.

Na maior parte dos casos, o estreitamento vem do desgaste natural da coluna com o passar dos anos: as articulações engrossam, o disco perde altura e abaula, e o ligamento que fica dentro do canal se espessa. Por isso a estenose é mais comum a partir dos 50 ou 60 anos. Ela também pode aparecer junto com uma vértebra escorregada sobre a outra (espondilolistese) ou, mais raramente, ser de nascença.

Quais são os sintomas da estenose do canal lombar?

O sintoma mais característico é a dor ou o cansaço nas pernas que aparece ao caminhar ou ficar muito tempo em pé, e que melhora quando a pessoa senta ou inclina o tronco para frente. Inclinar o corpo abre um pouco o canal e alivia o nervo. É por isso que muitos pacientes contam que caminham melhor apoiados no carrinho do supermercado.

Outros sinais comuns:

  • Dor, peso, queimação ou formigamento nas nádegas e nas pernas, em uma ou nas duas
  • Distância de caminhada cada vez menor antes de precisar parar
  • Dor lombar, que nem sempre é o sintoma principal
  • Fraqueza nas pernas ou sensação de que a perna "falha"
  • Dormência que piora ao longo do dia e melhora com o descanso sentado

É estenose ou problema de circulação?

A dor nas pernas ao caminhar também pode vir da má circulação nas artérias, e os dois quadros são parecidos. Uma diferença que ajuda: no problema de circulação, a dor costuma aliviar só de parar, mesmo em pé. Na estenose, o alívio vem principalmente ao sentar ou ao inclinar o tronco para frente. Essa diferença é só uma pista. Quem confirma a causa é a avaliação médica, e às vezes os dois problemas existem ao mesmo tempo.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa na consulta, com a história dos sintomas e o exame neurológico: força, sensibilidade e reflexos das pernas. A ressonância magnética mostra o canal, o grau do estreitamento e quais nervos estão comprimidos.

Um ponto importante: muitas pessoas têm estenose no laudo da ressonância e não sentem nada. Por isso o exame de imagem sozinho não define o tratamento. O que decide é a combinação entre o que o paciente sente, o que o exame físico mostra e o que aparece na imagem.

Estenose do canal lombar tem tratamento sem cirurgia?

Sim. Boa parte dos pacientes começa e muitas vezes segue bem com tratamento sem cirurgia:

  • Medicação para dor e inflamação, sempre com orientação médica
  • Fisioterapia e exercícios orientados para fortalecer o abdômen e a musculatura das costas
  • Atividade física adaptada, como bicicleta ergométrica ou hidroginástica, que costumam ser mais bem toleradas
  • Controle do peso
  • Infiltração ou bloqueio na coluna, em casos selecionados, para aliviar a dor e permitir a reabilitação

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia é considerada quando:

  • A dor e a limitação para caminhar continuam, mesmo com o tratamento adequado por um período
  • A distância que a pessoa consegue andar fica tão curta que atrapalha a rotina e a independência
  • Há perda de força nas pernas ou piora neurológica progressiva
  • Há alteração no controle da urina ou das fezes, que é uma urgência

O objetivo da cirurgia é descomprimir, ou seja, abrir espaço para os nervos. Quando existe instabilidade na coluna, como na espondilolistese, pode ser preciso também fixar as vértebras (artrodese). Hoje muitos casos podem ser tratados com técnicas minimamente invasivas, incluindo a cirurgia endoscópica da coluna, feita por cortes pequenos. A técnica certa depende de cada caso e é definida depois do exame clínico e dos exames de imagem.

A idade, sozinha, não impede a cirurgia. O que pesa é a saúde geral do paciente, o quanto a estenose limita a vida dele e o que ele espera do tratamento.

Quais sinais pedem atendimento rápido?

Alguns sintomas pedem avaliação urgente, em pronto-socorro, sem esperar consulta marcada:

  • Perda de controle da urina ou das fezes
  • Dormência na região entre as pernas (a área que encostaria em uma sela)
  • Perda de força nas pernas que piora rápido, em horas ou poucos dias
  • Dor nas costas depois de queda ou acidente
  • Dor na coluna acompanhada de febre ou perda de peso sem explicação

Como se preparar para a consulta?

Para aproveitar melhor a avaliação, leve:

  • Exames de imagem que você já tem (ressonância, tomografia, raio-x), com os laudos
  • A lista de remédios que usa, incluindo os de circulação, pressão e diabetes
  • O que você já tentou: fisioterapia, infiltração, outros tratamentos e como respondeu a eles
  • Uma ideia de quanto você consegue caminhar antes de precisar parar e o que faz a dor aliviar

Agende uma avaliação

Se você sente dor, peso ou formigamento nas pernas ao caminhar e precisa parar para sentar, ou já recebeu o diagnóstico de estenose do canal lombar, uma avaliação com um neurocirurgião de coluna pode identificar a origem do problema e indicar o caminho mais adequado para o seu caso.

Dr. Halisson Yoshinari

Neurocirurgião especialista em coluna vertebral em Campo Grande (MS)

CRM/MS 5794 | RQE 4356

R. Cel. Cacildo Arantes, 755 - Chácara Cachoeira, Campo Grande/MS

Agendamento: (67) 99211-2939